Nova tarifa de 50% sobre exportações brasileiras é a mais alta entre 22 países notificados. Trump critica STF, cita Bolsonaro e ameaça retaliar caso haja resposta de Lula.
A crise comercial entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou um novo e duro capítulo nesta quarta-feira (9), após o ex-presidente americano e atual ocupante da Casa Branca, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, a partir de 1º de agosto de 2025. A medida coloca o Brasil como o país mais penalizado entre as 22 nações que já receberam as novas diretrizes tarifárias da administração republicana.
A decisão foi comunicada em carta enviada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual Trump não apenas elevou as tarifas, como também fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF), citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e acusou o Brasil de adotar “práticas comerciais desleais”.
“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional”, escreveu Trump no documento, chamando o julgamento do ex-mandatário de “Caça às Bruxas”.
Além do Brasil, outros sete países receberam as novas tarifas nesta segunda leva de notificações — incluindo Argélia, Filipinas e Líbia. Contudo, apenas o Brasil foi alvo da tarifa máxima de 50%, acima dos 20% a 40% aplicados aos demais.
Trump cita STF, censura e redes sociais
Na carta endereçada a Lula, Trump acusou o STF de censura contra empresas de tecnologia dos EUA. Ele se referiu a ordens judiciais sigilosas que teriam sido emitidas contra plataformas como X (antigo Twitter), Meta (Facebook/Instagram) e Google, chamando-as de “secretas e ilegais”.
“Essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil”, alegou o republicano.
Trump também determinou a abertura de uma investigação comercial com base na Seção 301, um dispositivo da legislação americana que permite retaliar práticas comerciais consideradas desleais.
Lula reage: “Não aceitamos tutela”
O presidente Lula respondeu com um comunicado oficial, reafirmando a soberania do Brasil e criticando a postura do governo americano:
“O Brasil é um país soberano com instituições independentes. Não aceitaremos ser tutelados por ninguém”, afirmou.
O petista também lembrou que os processos judiciais contra golpistas de 8 de janeiro de 2023 são prerrogativa exclusiva da Justiça brasileira e que todas as empresas que atuam no país devem seguir a legislação nacional.
Impactos econômicos e geopolíticos
A medida de Trump coloca em risco bilhões de dólares em exportações brasileiras, especialmente nos setores de aço, alumínio, agropecuária e manufaturados. Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que, ao contrário do que Trump afirmou, o Brasil tem déficits comerciais com os EUA há 16 anos consecutivos, acumulando US$ 90,28 bilhões de saldo negativo desde 2009.
Especialistas apontam que a ofensiva tarifária tem forte componente geopolítico, já que Trump também ameaçou aplicar uma tarifa extra de 10% aos países do Brics, bloco que inclui, além do Brasil, potências como China, Rússia e Índia.
“Eles querem destruir o dólar como moeda padrão global. Se quiserem jogar esse jogo, também sei jogar”, disse Trump, insinuando um embate cambial com o grupo.
Possível retaliação
Lula indicou que o governo pode responder com base na Lei da Reciprocidade Econômica, e que a equipe econômica já estuda medidas para mitigar os impactos sobre exportadores e setores industriais.
Além disso, negociações diplomáticas e comerciais com a União Europeia e China podem ganhar força como alternativa ao mercado norte-americano, especialmente em um cenário de escalada protecionista por parte dos EUA.
Fonte: G1
Para mais informações e outras novidades de Osasco, siga o @osasconews_oficial no Instagram e fique sempre ligado!



