Dívida Pública Federal ultrapassa R$ 7,2 trilhões em novembro com alta de 1,85%

A Dívida Pública Federal subiu 1,85% em novembro, alcançando R$ 7,2 trilhões, impulsionada por juros altos e demanda por títulos corrigidos pela Selic. Apesar do aumento, está dentro da meta prevista.
Imagem: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento de 1,85% em novembro, superando pela primeira vez a marca de R$ 7,2 trilhões, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Tesouro Nacional. O estoque da DPF passou de R$ 7,073 trilhões em outubro para R$ 7,204 trilhões no mês seguinte, refletindo o impacto dos juros elevados e a maior demanda por títulos corrigidos pela Selic.

Apesar do crescimento, a dívida permanece dentro dos parâmetros estipulados pelo Plano Anual de Financiamento (PAF). A previsão é de que a DPF encerre 2024 entre R$ 7 trilhões e R$ 7,4 trilhões.

Detalhamento do aumento

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) — composta por títulos emitidos no mercado interno — teve crescimento de 1,71%, passando de R$ 6,748 trilhões para R$ 6,863 trilhões. Este aumento foi impulsionado principalmente pela emissão líquida de R$ 56,88 bilhões em títulos e pela apropriação de R$ 58,75 bilhões em juros.

A apropriação de juros reflete a correção mensal das taxas incidentes sobre os títulos emitidos. Com a Selic mantida em 12,25% ao ano, os custos da dívida permanecem pressionados.

No mercado externo, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou alta de 4,78%, alcançando R$ 340,76 bilhões. Esse avanço foi motivado pela valorização do dólar em relação ao real, que subiu 4,77% em novembro.

Composição da dívida

Entre os principais tipos de papéis, os títulos atrelados à Selic continuam em destaque, aumentando de 45,91% para 46,13% no total da DPF. A demanda por esses ativos segue alta devido ao nível elevado da taxa básica de juros.

Os títulos prefixados, com rendimento definido no momento da emissão, registraram leve queda de participação, de 22,19% para 22,14%. Já os títulos corrigidos pela inflação recuaram de 27,31% para 27,01%, alinhando-se às metas revisadas do PAF para 2024.

A parcela da dívida vinculada ao câmbio também cresceu, subindo de 4,58% para 4,72%, devido à valorização do dólar e à correção dos juros de dívidas externas.

Reserva e vencimentos

A reserva financeira do governo, conhecida como “colchão da dívida”, também apresentou aumento pelo segundo mês consecutivo, passando de R$ 822 bilhões para R$ 856 bilhões. Este montante é suficiente para cobrir 7,25 meses de vencimentos da dívida pública.

Nos próximos 12 meses, vencem cerca de R$ 1,29 trilhão em títulos, o que reforça a importância do colchão para momentos de turbulência econômica.

Confiança e perfil dos detentores

O prazo médio para renovação da dívida caiu de 4,16 para 4,12 anos, indicando uma leve redução no tempo de confiança dos investidores em relação à capacidade do governo de refinanciar seus compromissos.

As instituições financeiras continuam como os principais detentores da DPF interna, com 28,4% de participação, seguidas por fundos de pensão (23,7%) e fundos de investimento (22,1%). A fatia de investidores estrangeiros subiu de 10,7% para 11,2%, alcançando o maior nível desde dezembro de 2018.

Impactos e perspectivas

A alta da dívida reflete as dificuldades enfrentadas pelo governo para administrar o custo do endividamento em um cenário de juros elevados. Por meio da emissão de títulos, o Tesouro busca captar recursos no mercado para honrar compromissos financeiros, oferecendo retornos que acompanham a Selic, a inflação, o câmbio ou são definidos previamente.

Com a perspectiva de manutenção da Selic em níveis elevados por mais alguns meses, os próximos relatórios do Tesouro devem manter os títulos atrelados aos juros básicos como protagonistas na composição da dívida pública.


Fonte: Agencia Brasil


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