Maria Corina Machado ganha o Nobel da Paz de 2025 por sua luta pacífica pela democracia na Venezuela

A engenheira venezuelana Maria Corina Machado recebeu o Nobel da Paz de 2025 por sua luta pacífica pela democracia e direitos humanos na Venezuela, desafiando o regime autoritário de Nicolás Maduro.
Imagem: Domínio Público

A engenheira e líder opositora Maria Corina Machado, de 58 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por sua “luta incansável pela democracia e pelos direitos humanos na Venezuela”. O reconhecimento internacional consagra sua trajetória de resistência política e reforça sua posição como uma das figuras mais marcantes e controversas da América Latina.

Nascida em 7 de outubro de 1967, em Caracas, Machado vem de uma tradicional família do setor siderúrgico. Formou-se em Engenharia Industrial pela Universidade Católica Andrés Bello e se especializou em Finanças. Antes da política, atuou no setor privado, experiência que influenciou sua defesa de políticas liberais e de economia de mercado.

Da sociedade civil à oposição direta
Sua entrada na política se deu em 2002, durante o governo de Hugo Chávez, quando fundou a organização civil Súmate, dedicada à promoção de eleições livres e à participação cidadã. Em 2004, a entidade coordenou o referendo que buscava revogar o mandato de Chávez, colocando Machado sob os holofotes — e também sob ataques do governo, que a acusou de conspiração.

Eleita deputada em 2010 com votação expressiva, tornou-se uma das principais vozes contra o chavismo, denunciando violações de direitos humanos e corrupção. Em 2014, foi expulsa da Assembleia Nacional após críticas diretas ao presidente Nicolás Maduro. Desde então, passou a enfrentar perseguições, ameaças e proibições legais.

Resistência e liderança
Mesmo com restrições, Machado manteve sua atuação política por meio do partido Vente Venezuela, fundado em 2013. Em 2023, lançou sua pré-candidatura à Presidência e, mesmo impedida de concorrer, venceu as primárias da oposição e apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia.

As eleições de 2024, marcadas por denúncias de fraude, mantiveram Maduro no poder. Desde então, Machado vive em local não revelado dentro da Venezuela. Segundo o Comitê do Nobel, ela “mantém viva a chama da democracia em meio à escuridão crescente”.

Vida pessoal e legado
Machado foi casada com o empresário Ricardo Sosa Branger, com quem teve três filhos. Discreta sobre a vida pessoal, vive hoje sob constante vigilância e restrições de movimento.

Para seus apoiadores, é símbolo da resistência democrática venezuelana; para críticos, representa uma elite desconectada da realidade popular. O Nobel da Paz reconhece sua luta pacífica por uma transição justa e democrática, destacando sua coragem diante da repressão e seu papel na defesa da liberdade e dos direitos humanos.

Fonte: InfoMoney


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