Setembro Amarelo: como alimentação e redes sociais impactam a saúde mental

No Setembro Amarelo, especialistas alertam sobre a relação entre alimentação, redes sociais e saúde mental. Transtornos alimentares podem gerar depressão e ansiedade, mas prevenção, diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar favorecem a recuperação.
Imagem: iStock

Especialistas explicam ligação entre transtornos alimentares, depressão, ansiedade e pressão estética online

Durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, especialistas chamam a atenção para a relação entre alimentação, saúde mental e influência das redes sociais. Segundo a psicóloga e nutricionista Lia Moreira, os transtornos alimentares são “expressões de dor, controle e dificuldades emocionais profundas”, que se manifestam de formas diferentes em cada pessoa.

Entre os distúrbios mais comuns estão anorexia nervosa, bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar. Esses quadros afetam diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, aumentando o risco de ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), explica a nutricionista Eleonora Galvão.


O peso das redes sociais

A exposição constante a padrões corporais irreais intensifica a insatisfação com a imagem, especialmente entre jovens. A psicanalista Marcella Jardim aponta que algoritmos das plataformas digitais favorecem conteúdos que reforçam ideais estéticos inalcançáveis.

“Esses ambientes funcionam como espelhos distorcidos, alimentando comparações prejudiciais e fragilizando a autoestima”, reforça o psiquiatra Higor Caldato. Além disso, influenciadores fitness e de nutrição frequentemente divulgam práticas sem embasamento científico, que podem agravar distúrbios em pessoas vulneráveis.


Como identificar sinais de alerta

Entre os indícios de que algo não vai bem estão:

  • pensamentos obsessivos sobre peso, calorias e “alimentação correta”;
  • restrição alimentar progressiva e isolamento social em eventos que envolvem comida;
  • culpa, ansiedade ou vergonha após refeições;
  • rituais rígidos relacionados à alimentação.

Essas mudanças podem começar discretamente, o que torna a detecção precoce essencial.


Tratamento e recuperação

O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo nutricionistas, psiquiatras, psicólogos e médicos. A abordagem busca equilibrar recuperação nutricional, regulação alimentar e reconstrução da autoestima.

As terapias mais eficazes incluem cognitivo-comportamental especializada, terapia familiar (para adolescentes) e técnicas de mindfulness. O apoio da família e de grupos de convivência também é apontado como fator decisivo na recuperação.

Segundo Eleonora Galvão, “a cura vai além da alimentação: é um processo de resgate da identidade e fortalecimento da autoestima”.


Prevenção

Campanhas educativas, regulação de conteúdos digitais e programas escolares de educação midiática crítica são medidas fundamentais para prevenir o avanço dos transtornos. “A adolescência é um período de vulnerabilidade, e o olhar da família, escola e sociedade é essencial”, reforça Marcella Jardim.

Fonte: G1/ Globo


Para mais informações e outras novidades de Osasco, siga o @osasconews_oficial no Instagram e fique sempre ligado!