Nepal em chamas: protestos da Geração Z derrubam primeiro-ministro após bloqueio de redes sociais

Protestos da Geração Z no Nepal, motivados pelo bloqueio de redes sociais e pela desigualdade social, deixaram 19 mortos, incendiaram prédios públicos e forçaram a renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli.
Imagem: (PRABIN RANABHAT/AFP/Getty Images

O Nepal vive a maior onda de violência em décadas. A decisão do governo de proibir o uso de redes sociais como Facebook, X e YouTube desencadeou uma revolta popular liderada por jovens da chamada Geração Z — e acabou derrubando o premiê Khadga Prasad Oli, que renunciou nesta terça-feira (9).

O movimento, que começou contra o bloqueio digital, rapidamente se transformou em uma explosão de insatisfação com a corrupção, o desemprego e a desigualdade social.

Protestos violentos em Katmandu

Os confrontos deixaram pelo menos 19 mortos e centenas de feridos. O Parlamento, o Supremo Tribunal, a residência do primeiro-ministro e casas de ministros foram incendiados por manifestantes.
Veículos em chamas e escombros tomaram a capital, enquanto o Exército foi chamado às ruas sob toque de recolher. O aeroporto internacional permanece fechado.

A repressão incluiu disparos de balas de borracha, gás lacrimogêneo e até munição real, segundo o jornal Kathmandu Post. A ONU pediu uma investigação independente sobre as mortes.

Desigualdade no centro da revolta

Embora o Banco Mundial projete crescimento de 4,5% em 2025, os números sociais são alarmantes:

  • 22% dos jovens (15 a 24 anos) estão desempregados;
  • 20% da população vive abaixo da linha da pobreza;
  • Os 10% mais ricos ganham mais que o triplo dos 40% mais pobres.

O contraste ficou ainda mais visível nas redes sociais, com filhos de políticos ostentando luxo enquanto milhões vivem na miséria. Esse foi o estopim para que milhares de jovens organizassem os atos.

Crise política e regional

A renúncia de Oli abre espaço para uma nova disputa entre partidos opositores, mas a prioridade imediata é restabelecer a ordem.

A instabilidade preocupa Índia e China, que acompanham os desdobramentos. O Nepal, com 30 milhões de habitantes, tem posição estratégica entre os dois gigantes e grande potencial hidrelétrico.

Especialistas apontam que o país asiático se junta a vizinhos como Bangladesh e Sri Lanka, onde a pressão popular também levou à queda de governos recentemente.

Fonte: Época e Nsc Total


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