Moraes diz que tentativa de golpe de Bolsonaro já está provada e que STF julga envolvimento dos réus

Moraes afirmou que tentativa de golpe para manter Bolsonaro no poder já está provada. STF julga envolvimento de oito réus, acusados de integrar organização criminosa para atacar a democracia.
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder já está comprovada. Segundo ele, o que está em julgamento é a participação de cada um dos réus na trama.

Moraes destacou haver ao menos 13 atos executórios que comprovam a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas, cujo líder seria o próprio Bolsonaro. O ministro citou como parte da execução inicial do golpe reuniões ministeriais, transmissões ao vivo, entrevistas e o discurso do 7 de setembro de 2021, quando o então presidente afirmou que só deixaria o cargo “morto ou preso”.

“Isso não é conversa de bar. É o presidente da República, no Dia da Independência, instigando milhares de pessoas contra o STF e contra a ordem democrática”, disse Moraes, classificando as ameaças como criminosas.

Entre as provas apresentadas, Moraes mencionou anotações do general Augusto Heleno e informações encontradas no celular de Alexandre Ramagem, além do uso ilegal da Abin para monitorar adversários políticos e atacar a credibilidade da Justiça Eleitoral.

O julgamento foi retomado nesta terça (9) e seguirá até sexta-feira (12), com votos dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Réus no processo

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e atual deputado federal
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto – ex-ministro e ex-candidato a vice
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens

Crimes imputados

Os réus respondem por:

  • organização criminosa armada
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • golpe de Estado
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça
  • deterioração de patrimônio tombado

A exceção é Alexandre Ramagem, que responde apenas a três desses crimes, devido à prerrogativa parlamentar.

Fonte: Agência Brasil


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