Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade: Entenda o desafio do diagnóstico do TDAH para profissionais da saúde mental e pacientes

O TDAH é um transtorno complexo, com sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade. O diagnóstico exige avaliação clínica detalhada, não sendo determinado apenas por testes neuropsicológicos. O tratamento melhora qualidade de vida.
Imagem: Freepik

O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio multifacetado que vai muito além dos sintomas tradicionais de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Embora esses três fatores sejam comumente mencionados, o transtorno envolve uma gama de disfunções cognitivas, motoras e de linguagem, que podem ser difíceis de identificar sem uma avaliação clínica detalhada.

O Impacto das redes sociais no diagnóstico

Com a popularização do TDAH nas redes sociais, especialmente em vídeos curtos do TikTok, o transtorno tem sido frequentemente simplificado, levando muitos a tirar conclusões precipitadas. Vídeos de poucos segundos, com milhões de visualizações, mostram comportamentos como pernas inquietas ou agitação durante o sono, associando-os ao transtorno. Porém, o diagnóstico do TDAH não deve ser baseado apenas em vídeos ou sintomas superficiais. De acordo com especialistas, uma avaliação médica completa é crucial.

O diagnóstico de TDAH é um processo clínico complexo, que envolve a observação de uma série de sintomas e não pode ser determinado por testes neuropsicológicos isolados. Embora esses testes forneçam dados importantes, a conclusão do diagnóstico depende de uma análise criteriosa dos sintomas e seu impacto na vida do paciente.

Diagnóstico e tratamento: uma jornada complexa

De acordo com o psiquiatra Elton Yoji Kanomata, do Hospital Albert Einstein, muitos pacientes chegam ao consultório com a crença de que têm TDAH, mas na realidade, sofrem de transtornos como depressão ou ansiedade, que também podem causar desatenção. Por isso, é fundamental a análise clínica de um médico especialista, como um psiquiatra ou neuropediatra.

Estudos indicam que o TDAH afeta cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos. No entanto, apenas 20% das crianças diagnosticadas têm o transtorno confirmado. Para Polanczyk, professor de psiquiatria da USP, a maioria dos indivíduos com TDAH não tem um diagnóstico formal, e a falta de tratamento pode ser fatal, pois muitas pessoas que morrem em decorrência do transtorno não receberam a atenção necessária.

O tratamento para o TDAH não oferece cura, mas ajuda a melhorar os sintomas e a qualidade de vida do paciente. As abordagens incluem terapia cognitivo-comportamental e medicação farmacológica, como metilfenidato (Ritalina) e lisdexanfetamina (Venvanse). Esses tratamentos podem ajudar a diminuir o risco de acidentes, uso de substâncias ilícitas, e até mesmo prevenir a depressão e suicídios relacionados ao transtorno.

Identificando os sintomas

O TDAH manifesta-se precocemente, com sintomas que geralmente surgem antes dos 12 anos, embora possam diminuir na vida adulta. No entanto, as crianças diagnosticadas ainda apresentam, na fase adulta, alguns sintomas, como dificuldades para manter a atenção e a organização, embora possam desenvolver estratégias para gerenciá-los.

Os sintomas de desatenção incluem: dificuldade para se concentrar, cometer erros por descuido, esquecer tarefas, e ter dificuldade para organizar atividades. Já os sinais de hiperatividade e impulsividade envolvem comportamentos como inquietação, dificuldade para permanecer sentado ou esperar a sua vez, e falar excessivamente.

A Importância da avaliação psicológica

A avaliação do TDAH deve ser feita por um médico, preferencialmente um psiquiatra ou neuropediatra, ou um psicólogo que preferencialemente seja neuropsicólogo especializado em TDAH. Embora os testes neuropsicológicos ajudem a fornecer dados, eles não podem confirmar o diagnóstico. Além disso, os profissionais de saúde mental alertam para o risco de diagnósticos incorretos devido à formação inadequada de profissionais, o que pode resultar em tratamentos inadequados.

É essencial que o diagnóstico seja feito o quanto antes para que o tratamento seja iniciado, especialmente em crianças, onde a intervenção precoce pode melhorar significativamente a qualidade de vida. A falta de diagnóstico e tratamento adequado pode levar a consequências graves, como o aumento de problemas emocionais e comportamentais, e até mesmo o risco de suicídio.

Desafios no tratamento e acompanhamento

Embora o TDAH tenha um impacto profundo na vida dos pacientes, nem todas as pessoas com o transtorno enfrentam dificuldades extremas. Muitas conseguem atingir altos níveis de sucesso educacional e profissional. O tratamento, entretanto, exige um acompanhamento constante e ajustes contínuos para que o paciente aprenda a lidar com os sintomas e minimize seus impactos.

Como aponta Polanczyk, o movimento de neurodiversidade busca não apenas reconhecer as dificuldades dos indivíduos com TDAH, mas também empoderá-los, incentivando a busca ativa por soluções para suas dificuldades. É fundamental que se evite o estigma relacionado ao diagnóstico e se busque o suporte necessário para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Em suma, o diagnóstico e tratamento do TDAH são desafiadores e requerem uma abordagem abrangente e multidisciplinar. O caminho para o controle dos sintomas é contínuo, e, apesar das dificuldades, é possível alcançar uma vida mais equilibrada e satisfatória com o suporte adequado.


Fonte: G1 (Globo)


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